lauralawson

Fitas cassete, grampos e lagartixas

Faz uns três meses uma lagartixa apareceu na sala de casa. Ficou parada no teto, quase que no mesmo lugar uns dois dias, e depois sumiu. Uma lagartixa comum, nem grande nem pequena, cor de lagartixa. Eu moro em um lugar inóspito do ponto de vista de um réptil em São Paulo. Perto da Paulista, andar alto, sem varanda ou qualquer área verde, a não ser por uma mesinha de vidro na sala com algumas plantas, dentre as quais duas miniárvores da felicidade, macho e fêmea, de uns 15 anos cada, herança do meu banheiro de solteira, um pé de arruda presente da minha mãe, porque não custa nada, né?, filha, umas orquídeas sem flor, e umas suculentas que eu adoro. Quando eu tinha uns sete ou oito anos eu ganhei de presente de Natal de um tio uma camiseta azul-marinho escrito lagartixa na frente, em branco, all caps e bold, com a explicação de que aquele era o meu apelido. Eu já tinha idade suficiente para ter certeza que aquele jamais fora o meu apelido, e talvez idade de menos, timidez, ou educação, para não reclamar. Usei várias vezes a camiseta naquele verão. Lagartixa não era tão ruim assim. Em um outro Natal, uns anos depois, ganhei do meu pai um rádio Sony com um tocafitas, uma fita cassete da Cyndi Lauper e uma fita cassete da Tina Turner. O que eu queria mesmo era ter ganhado um rádio Sony com dois tocafitas, daqueles que a gente usava para gravar fitas cassete mixadas para a melhor amiga que ia fazer intercâmbio no Missouri, e chorava sem parar no embarque internacional em Cumbica, como se estivesse indo para a primeira guerra do Golfo; mas o rádio com um só tocafitas foi a segunda melhor coisa do mundo que eu poderia ter ganhado. Dava para fazer fitas cassete mixadas gravando direto do rádio, ficava quase bom. É claro que hoje a estratégia de quase-satisfação do meu pai faz todo o sentido, embora eu ainda não consiga aplicá-la com eficiência.  Neste ano eu quero ganhar uma caixa de grampos loiros Teimosão, tamanho médio, uma caixa grande de pilhas Duracell AA, e uma conexão 3g que funcione em qualquer lugar, a qualquer hora do dia ou da noite, até na Noite de Natal. (Mais fácil a minha operadora me dar uma caixa de grampos Teimosão.) Ontem à noite a lagartixa atravessou correndo o chão da sala, passou por cima do meu pé, e foi se esconder embaixo de um móvel. Tinha mudado de cor completamente, ficou albina, mas o rabo ainda estava no lugar.

Columbia Palace

(Somewhere are places where we have really been, dear spaces / Of our deeds and faces, scenes we remember – In Transit; W.H. Auden)

O hotel era o mais decrépito de uma série de hotéis decrépitos na Avenida São João.  O letreiro azul e branco subia magricelo por três andares da fachada, o nome, Columbia Palace, piscava sem ritmo (e em desafio ao tempo), uma calça jeans virada do avesso secava pendurada para fora de uma das janelas.

Pedro esperou o pai em um canto da recepção, uma mulher mal-humorada, vestida em um uniforme roto e apertado, pediu para ver os documentos e perguntou se “o menor era parente”. Levantou a voz, protegida pelo balcão, para comunicar que a diária teria de ser paga adiantada: –“Ordens da gerência”.  Subiram os três lances de escada devagar, o pai ofegante parava a cada quatro ou cinco degraus; a placa enferrujada dizia que o elevador (instalado em alguma reforma décadas atrás) estava em manutenção.

O quarto 302 refletia rigorosamente a decadência da rua e da fachada. O cheiro de mofo, duas camas de solteiro separadas por um criado-mudo, um abajur com a cúpula queimada, duas toalhas dobradas em forma de leque, a televisão de 14 polegadas pendurada por um rack articulado. Nenhuma boa surpresa ali.

Mas não importava.  São Paulo, a viagem de ônibus, os dois dias com o pai…

O letreiro azul e branco –Columbia Palace, Columbia Palace– bloqueava metade da janela; pela outra metade se via, do outro lado da rua, depois de vencido um emaranhado de fios, um estacionamento e O Espeto do Gordo.  Com as mãos apoiadas no peitoril imundo da janela e o pescoço esticado para fora, o pai anunciou que à direita ficava a esquina da Avenida Ipiranga com a Avenida São João, “aquela da música filho, sabe”?  Pedro não sabia; o pai limpou as mãos com um gesto rápido e sugeriu que fossem comer alguma coisa.  Pedro não via o pai há seis anos.

Saíram caminhando pela São João, Conselheiro Crispiniano, Barão de Itapetininga, em direção ao Theatro Municipal.  Um ônibus elétrico com os cabos soltos atrapalhava o trânsito, o cobrador dava saltos ornamentais tentando colocá-los no lugar.

“Pai, por que tantos cegos?” O pai ergueu os ombros, também não sabia, todas as vezes que via um grupo de cegos no Centro só conseguia pensar em Brejo da Cruz e nos milhões de seres tão bem disfarçados que ninguém pergunta de onde essa gente vem.  O pai de Pedro tinha essa mania, transformava tudo, qualquer ideia, imagem, pergunta, em letra de música.  A mãe ficava furiosa, mas fazia muito tempo que ele não pensava na mãe de Pedro.

O pai tinha ido embora de casa, da casa de Pedro, da mãe de Pedro, no dia 07 de setembro de 1991, de manhã cedo, depois de discutir com o irmão sobre um assunto que Pedro não tinha entendido, ainda.  Deu um beijo na testa do filho, como fazia todos os dias, e saiu dirigindo sua Parati branca, sem mala, sem nada.  Pedro tinha oito anos e os desfiles na televisão só o fizeram pensar no pai, em sua ausência, na hora do jantar.  A mãe passou aquele e muitos outros dias trancada no quarto. E nunca mais falou sobre o marido, nem com Pedro, nem com mais ninguém.

Acocorado na calçada do Viaduto do Chá, um camelô vestindo um colete de couro sem camisa e chapéu de Lampião vendia apitos embrulhados em papel celofane de várias cores. O assobio que saia da geringonça feita de bambu era um miado agudo, perfeito.  O pai, pela corriqueirice do gesto, só por isso, comprou um punhado de apitos e deu de presente a Pedro.

(Atravessaram a Líbero Badaró.)

No mesmo dia em que saiu de casa o pai veio para São Paulo procurar emprego.  Trabalhou por dois anos como porteiro em um prédio comercial na Rua Boa Vista. A mãe de Pedro não, porque ela não falava sobre o pai, mas os outros diziam que era um emprego menor do que seu diploma de engenheiro agrônomo. O pai de Pedro não se importava.

Sentaram-se lado a lado no balcão da Leiteria Bancário, na Rua da Quitanda, pediram dois PFs e refrigerante; o pai costumava tomar café da manhã ali todos os dias, antes de seu turno no prédio da Boa Vista.  Pedro sabia disso, sabia de tudo.  Sabia por que o pai tinha ido embora, por que nunca tinha voltado (e também não voltaria).

A viagem para São Paulo não era para ser, de forma alguma, um exercício de reparação; eles não queriam isso.  Tudo o que precisava ser explicado já tinha sido escrito nos últimos seis anos.

(Seguiram caminhando pela São Bento.)

Depois de um tempo, depois de muitos dias trancada no quarto, a mãe de Pedro se casou com o irmão do pai de Pedro, e eles (todos) se mudaram para uma casa maior, azul e branca e com jardim, em um bairro novo, planejado, longe da casa antiga.

Pararam em frente ao prédio onde o pai tinha trabalhado.  Um prédio qualquer, nada imponente comparado a outros da Boa Vista.  O pai ficou ainda por mais um ano em São Paulo, fazendo bicos, e se mudou para Poços de Caldas –um amigo da época de faculdade tinha conseguido um emprego em uma fazenda da região.  A Parati branca ele vendeu para dar entrada em uma casinha amarela geminada e sem jardim.

Aos berros, um ambulante na esquina da Boa Vista com a Ladeira Porto Geral avisa que tem modelador de coxinha.  O pai sempre escreveu, todas as semanas, desde a primeira semana. “Tem mata-rato e mata-barata”. “Tem suflair”. “E tem papa-bolinha”. Pedro, pela idade, e por uma confusão meio perto da barriga, meio perto do peito, que ele não sabia explicar, pelo menos não aos oito anos, demorou para responder.  Só depois de encher uma caixa de sapatos com as cartas do pai e guardá-la embaixo da cama, escreveu pela primeira vez perguntado como se construía um carrinho de rolimã. E, lá no p.s., escondido no verso, arriscou o primeiro porquê.

Um tumulto de gente na Quinze de Novembro fez Pedro segurar a mão do pai.  A mão de Pedro era agora quase do tamanho da mão do pai.  A viagem a São Paulo tinha sido, afinal e acima de tudo, por isso, para isso, por causa da ausência física, e pelos anos.

Você tem medo de quê?

Quando eu era criança eu morria de medo de tubarão, da máfia e de passar por cima de pontes. Uns dois meses antes da minha Primeira Comunhão eu dei um beijo em um menino em um brincadeira de Casamento Chinês, e passei o resto do tempo apavorada com a ideia de ter de confessar aquilo para o padre e receber uma penitência sete vezes maior do que todos os meus outros 30 coleguinhas. Não contei, é claro. Até uns 15 anos eu tinha muito medo de cachorro, daí fui mordida pelo boxer de uma amiga e o medo passou. Sempre tive pânico de andar á cavalo. Uma vez eu enfiei um garfo de churrasco dentro de um buraco de tomada (para ver o que acontecia; pequena senhorita Edison) e desde então morro de medo de levar choque e, consequentemente de trocar lâmpada, o que se tornou um problema aqui em casa porque eu sou a trocadora oficial de lâmpadas. Andar de avião para mim entra na categoria dos medos maiores do universo, juntamente com falar em público, sendo que se tiver microfone e palco no programa, aí é desmaio na certa. Mas a verdade é que hoje em dia a única coisa que realmente me apavora é envelhecer.

Tem que ser selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado…

Eu acho sensacional essa necessidade verde e amarela de querer sempre documentar tudo, mesmo que o ato seja duvidoso, clandestino ou ilegal. Quase todo mundo por aqui quer prestar satisfação a alguém, quer um comprovante, um recibinho, um canhotinho, uma guia, um xerox da segunda via da certidão de objeto e pé que garanta (ou condene) o seu traseiro em uma possível porém improvável inspeção de traseiros. No Brasil até bandido é adepto da burocracia. Não é mais do que bom o PCC fazer ata de reunião transcrita à mão e com letra bonita?  Fico só imaginando o Piauí aos berros com o recruta selecionado (pela caligrafia, é claro!) para transcrever as deliberações:  –Preste atenção na crase, PORRA! Se não acertar a pontuação a sua irmã morre!  Eu só vou assinar essa merda se a sua letra for tipo Dakota Handwriting, valeu?!

O problema são os outros

Maria –ela tem horror que a chamem assim, e grita até perder a voz quando escuta o seu nome– mora no meu bairro, na rua, desde 1992, ou talvez seja um outro ano que nem ela nem ninguém mais se lembre. Antes disso, ficou internada por alguns meses em um hospital psiquiátrico em Itapira, fugiu, passou dois anos comendo só tomates em um sítio abandonado em Cotia, e chegou a São Paulo escondida em um caminhão de alface em uma quinta-feira, dia de feira na Barão de Capanema.

Os dentes incisivos, quatro em cima e quatro embaixo, caíram durante os anos que passou comendo tomate em Cotia. Desde que se mudou para cá perdeu mais três dentes (podia ser pior, segundo ela), o último em uma briga com um mendigo desalojado da Praça Roosevelt por causa da reforma.

De um pedaço de fita que alguém jogou no lixo ela tenta fazer um laço para por na cabeça. Tira primeiro a touca de banho –prefere usar a lavar os cabelos na rua–, dobra ao meio, depois em quatro, e guarda no bolso de fora da mala. Do mesmo bolso ela retira uma escovinha redonda, daquelas com espelho na tampa, não muito eficiente mas prática para guardar na bolsa, se tivesse bolsa. Penteia os cabelos, vence alguns nós, disfarça a sujeira.

A mala preta, dessas que se leva dentro do avião, ela procura manter sempre em bom estado. Conserta os furos no náilon usando um kit de costura que ganhou anos atrás, e mantém as três rodinhas sempre limpas e funcionando. A quarta rodinha foi roubada na única noite em que dormiu em um abrigo. (Nunca mais!) O colchão de espuma, um caracol amarelo escuro, vai em cima da mala amarrado por um barbante.

Sempre tem comida e cigarro. Ás vezes ela aproveita a água que desce pela sarjeta da Peixoto Gomide para tomar banho e lavar a roupa. O problema são mesmo os outros que gritam o seu nome.

(Dezembro é o melhor mês para quem mora na rua.) Este ano ela espera ganhar uma mala nova, com quatro rodinhas, e talvez um par de sapatos.

Maria amarra o laço de fita com cuidado, escolhe o meio da cabeça para posicionar o enfeite, as mãos trêmulas tornam o processo demorado. Fica satisfeita com o que vê no espelhinho. No bolso da mala ela busca a touca de banho; desdobra, sacode, alisa, testa o elástico com as mãos, e coloca de volta na cabeça.

A minha! Não, a minha!

Uma das melhores discussões que eu tive até hoje foi aos 4 ou 5 anos de idade. O tema era recorrente no meu prédio –quem tinha a melhor mãe–, e a argumentação inexistente. Como qualquer coisa antes dos 10 anos, venceria aquela que gritasse mais alto e por mais vezes. Pulmões exauridos, controvérsia a ponto de virar puxão de maria chiquinha, e a minha vizinha tem um estalo de Vieira: –A minha mãe é melhor do que a sua porque ela sabe escrever MUNDO! Aquilo me derrubou. Como assim, como assim? Será que ela tinha ideia da seriedade e magnitude daquela afirmação? Será que era blefe? Seria possível uma dona de casa belorizontina saber escrever Mundo em toda a sua vastidão, assim mesmo, com letra maiúscula? Por alguns segundos me dei por vencida e cogitei elevar aquela mãe á categoria de ser mais fodástico do universo e do meu prédio, logo atrás do Seu Joinha que limpava o elevador, mas logo reconsiderei e gritei mais alto: –A MINHA TAMBÉM!

Cinquenta tons mais desesperada

Bombril

Amaciante

Cândida

Vai lesma, tira o carrinho daí! Preciso ir para casa logo ler os Tons antes que o Paulinho chegue da escola.

Vanish

Papel Higiênico

Sabão em barra

Detesto gente lerda.

Batata

Cebola

Quiabo

Até parece que o marido da Soraia manda melhor que o Mr. Grey. Duvido.

Peito de peru

Paio

Merda, deixa eu desviar, oito e meia da manhã e a Maitê já tá toda arrumada, e eu fantasiada de roupa de ginástica.

Abóbora

Tomate

Café

Hahaha, e a Cátia que tomou todas no happy hour da semana passada e pediu para o marido ser mais Christian Grey e menos mala.

Creme de leite

Farinha

Ummm, vou bater um bolo chegando em casa.

Fermento

Nescau

Caldo Knorr

Melhor não, preciso perder três quilos até a festa da Maitê. Vou comer só aipo com óleo de coco até sexta.

Nuggets

Ervilha

Ummmm, seção de congelados… Menina, e aquela parte do livro?

Activia

Requeijão

Leite desnatado

Dane-se, vou bater um bolinho light.

-Senhora, são quatrocentos e setenta e dois reais, senhora. Nota Fiscal Paulista?

-Quatrocentos e setenta reais? Só pode ser sacanagem.

Minhas férias (ou voltar a escrever)

Durante a minha infância eu tentei por alguns verões aprender a fazer tricô com a minha avó.  Passávamos horas conversando sobre agulhas, linhas e tipos de ponto; ela sempre na cadeira de balanço com o mesmo coque que, dependendo do dia da semana, estava impecável ou prestes a desabar, e unhas redondas, bem feitas, em tons de rosa, eu sempre morrendo de calor porque Porto Alegre no verão é muito mais quente que Salvador ou Apucarana. Minha avó ia à cabeleireira às terças-feiras.  Meus pais sabiamente sumiam de cena depois do Natal.  Eu não saberia dizer quantos verões foram, ou se uma determinada história aconteceu neste ou naquele ano.  O script era sempre o mesmo, com alguns cacos ano a ano –o assalto a casa de veraneio, os peixes na piscina Regan, as pernas de pau e o skate feitos pelo meu avô.  Todo Reveillon tinha tiro para o alto. Todos os dias tinha picolé, televisão e um rio na frente de casa onde nunca pudemos nadar porque era (ou achavam que era) muito poluído; até hoje não sei. Às vezes meu tio buscava a gente para andar de barco no mesmo rio poluído, e quando meus pais voltavam de viagem, íamos todos almoçar no Bolonha.  O Bolonha para mim era o melhor restaurante do mundo.  Eu nunca aprendi a fazer tricô, nunca consegui fazer mais do que três fileiras cheias de buracos, algo muito longe de um cachecol.  Ficava com as mãos e os braços tensos, rígidos, me lembro da sensação até hoje. Tem gente que diz que fazer tricô ajuda a relaxar, nunca entendi. Minha avó fazia qualquer tipo de ponto, qualquer modelo de roupa. Fazia crochê também muito bem. Meu avô fumava cachimbo e ficava horas lendo, tinha as canelas finas e um jeito bonito de cruzar as pernas. Às vezes me pedia para cortar o cabelo dele com uma tesoura gigante e sem fio.  Todas as tardes minha avó regava o jardim. Até hoje fico feliz quando sinto cheiro de fumaça de cachimbo.

Marmitex

Vai continuar tendo de tudo: leitão, cabrito, frango assado.

O cachorro de Pavlov


Este ano eu resolvi antecipar para setembro o início da dieta pré-verão, evitando assim o desespero que bate todo ano por volta do 17 de dezembro. Chamemos de maturidade. Fui a uma nutricionista, e ela me recomendou uma dieta inicial de 1.000 calorias diárias. Sugeriu também que eu comprasse um kit (eu sei, eu sei) com refeições para uma semana, para que eu entenda bem o que (não) são 1.000 calorias. O problema todo é que eu acabo sabotando mentalmente a dieta ou, pior, a chance de uma possível reeducação alimentar, e passo boa parte do dia lendo o cardápio e salivando com pílulas dignas de uma estação espacial russa disfarçadas de Filé ao Termidor. O cachorro de Pavlov sou eu.

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