Seu garçom faça o favor de me trazer depressa

por llforbes

Eu não sei se a rodada de Doha vai finalmente sair do papel, se incentivos agrícolas nos Estados Unidos vão diminuir a expectativa de vida de crianças barrigudas na Namíbia ou se o Tratado de Outro Preto inviabilizou a indústria de calçados na Argentina. Eu só sei que a globalização trouxe ao Brasil uma grande vilã: – a máquina de café expresso. Eu não gosto de café expresso, acho forte demais, mas não acho que o café em si seja o problema. Simplesmente perdemos o hábito de tomar um bom café passado, no bule e na xícara, ou no copo, se na padaria. Simplesmente a Maricotinha não pode mais se gabar de passar o melhor café do prédio e desdenhar o café da Célia, a vizinha do 502. E no almoço aos domingos o café é feito em etapas, sempre com alguém em pé e de fora da conversa. Agora uma “média” virou um “latte” e tem espuma, e o pão na chapa foi trocado por invenções passageiras, a mais recente o “cupcake”. Tomar um cafezinho deixou de ser uma atividade doméstica e coletiva e passou a ser um ato solitário em frente a um Macintosh. Pela beatificação das donas de casa passadoras de café. Pela volta dos coadores de pano. Pela valorização dos copos americanos Nadir Figueiredo.
Laura