Dois artigos

por llforbes



Dois artigos no Estado de hoje merecem ser comentados um pela estapafurdice do conteúdo e o outro pelo alerta de perigo iminente.

O artigo “A Academia e os novos tempos” (pg. A2), escrito pelo Marcos Vinicios Vilaça, presidente da ABL (AB who?), é um enorme balaio de clichés, ideias obvias paradas nos anos 90 e pensamentos desconexos. Só mesmo lendo o artigo para entender a extensão do exercício randômico, mas aqui, para seu deleite, alguns trechos imperdíveis:

“Há – e está bem aos nossos olhos – uma geração que parece ter nascido com controle remoto e mouse a mão. Basta um clique e a tela muda. Portanto é vital que nos afinemos com os moços”.

No shit, Sherlock.

“Até ontem, por exemplo, toda plataforma para ler era modulada de forma passiva e indireta pela luz do sol ou pela lâmpada. Hoje, o fundo emite luz e nos teclamos sobre seu fluxo, e o fundo sobre o qual aparecem letras e imagens é fonte de luz ativa”.

To infinity and beyond.

E o meu preferido:

“Especialistas temem que o homem esteja a inaugurar um cultura autodestrutiva – uma cultura da incultura. É possível que haja nisso alguma razão. É também possível que haja nisso algum exagero. Mas uma coisas e certa: nada anula a atração de elucidar o alcance de novos usos”.

CBGB is back. Hide your daughter.

O outro artigo é o da Dora Kramer (pg. A8), sobre a possibilidade do Lula se licenciar do cargo para se dedicar à candidatura da Dilma. Para mim, o grande problema não seria a licença em si, mas sim a possibilidade do Sarney assumir a presidência (legalmente ele é o terceiro na linha de sucessão. Na prática, provavelmente o primeiro). O bigodudo diz que não, mas aposto o meu mindinho direito que ele não resiste a mais um shot de poder, mesmo que de curta duração. Talvez um país sem governante, à deriva por dois meses, seja a melhor solução. Afinal, nada muito diferente do que temos agora.

Laura