A minha! Não, a minha!

por llforbes

Uma das melhores discussões que eu tive até hoje foi aos 4 ou 5 anos de idade. O tema era recorrente no meu prédio –quem tinha a melhor mãe–, e a argumentação inexistente. Como qualquer coisa antes dos 10 anos, venceria aquela que gritasse mais alto e por mais vezes. Pulmões exauridos, controvérsia a ponto de virar puxão de maria chiquinha, e a minha vizinha tem um estalo de Vieira: –A minha mãe é melhor do que a sua porque ela sabe escrever MUNDO! Aquilo me derrubou. Como assim, como assim? Será que ela tinha ideia da seriedade e magnitude daquela afirmação? Será que era blefe? Seria possível uma dona de casa belorizontina saber escrever Mundo em toda a sua vastidão, assim mesmo, com letra maiúscula? Por alguns segundos me dei por vencida e cogitei elevar aquela mãe á categoria de ser mais fodástico do universo e do meu prédio, logo atrás do Seu Joinha que limpava o elevador, mas logo reconsiderei e gritei mais alto: –A MINHA TAMBÉM!